Novo Airão - AM

Novo Airão é uma cidade a noroeste de Manaus, subindo o Rio Negro já no arquipélago de Anavilhanas. Passei o Natal lá com minha companheira. Essa não é a melhor época para se visitar o local devido às chuvas. Por esse motivo ficamos na cidade mesmo.

Pessoalmente foi uma experiência ótima. Foi a primeira vez que tive contato mais próximo com a região amazônica. Só de ficar pela cidade à beira do Negro já fiquei encantado. Tudo me fascinava, tudo era motivo para fotografia. De certa forma, acho que esse encanto  me fez ter uma visão não muito íntima. Gostei do resultado das fotos, mas de alguma forma sinto que segui, na maior parte das fotos, um olhar estrangeiro e nada pessoal. Mas valeram o exercício e o imenso prazer de fotografar num lugar de paz.



Um pouco da viagem e da cidade

São umas 5 hs a partir de Manaus num ônibus onde viajam famílias inteiras em apenas duas poltronas. Nós demos sorte, mas o que se diz é que a travessia de balsa pelo Negro pode levar horas. Está prevista a construção de uma ponte o que deve reduzir o transtorno.

A cidade é tranquila. Tem ruas largas e povo bom. Infelizmente, no entanto, o forró em alto volume é inevitável. A cidade está tentando implementar o turismo, mas por enquanto a maioria não tem muito do que viver. A população que antes vivia da pesca e extração de madeira agora tenta se entender com o IBAMA, já que 80% do município é área de reserva ecológica. Lixo, e muito, à beira do rio tem. Obra do governo também.









Paisagens

Se tem uma coisa que me dá prazer na vida ela se chama fotografar paisagens.  Acordar  antes do sol, esperar ele se por, prever uma foto e aguardar a luz certa em silêncio... Nessa segunda foto aí abaixo por exemplo, o único som que eu ouvia era o do boto subindo pra respirar.

Durante um tempo andei me cobrando: "mas isso é só paisagem... não diz nada..."  Hoje não ligo pra isso. Faço por que gosto e me dá muito prazer. Me liga à Natureza que tanto amo de forma muito íntima e é um grande exercício de ver beleza na vida. Fechei um olho pro lixo e fiz o melhor possível

Essa foi a primeira vez que usei os filtros graduados de densidade neutra . Fazem "A" diferença.






Detalhes

Coisas que estavam alí mesmo na pousada onde ficamos (Pousada Bela Vista, simples e deliciosa...) . Apenas o exercício da fotografia.  A foto do filhote de camaleão (que caiu da árvore, depois o soltamos) me fez lembrar de um comentário que assisti num filme com o grande fotógrafo Frans Lanting (www.lanting.com) sobre a beleza de fotografar a mão humana em atividade. Para quem não sabe a flor vermelha é o Urucum e o coquinho o Tucumã.








Pessoas

Continuo me desafiando a me aproximar das pessoas para fotografá-las.  Sr Francisco (terceira foto) estava lá todos os dias de manhã cedo pra cuidar do seu barco muito bem estacionado entre os postes de madeira para resistir às tempestades amazônicas. O homem é a alma da sua embarcação. O menino de azul rapava folhas de buriti para fazer pipas: "Aqui tudo tem seu tempo. Agora ainda tá no tempo da peteca (jogo de bolinas de gude). Mas quando é tempo de pipa aqui agente quase nem vê o céu..."









Estaleiro

A construção de um barco parece ter muito mais de arte do que de engenharia. Infelizmente quando estivemos no Estaleiro do Mestre Edinho (de azul) eles estavam aguardando a chegada de madeira para continuar o trabalho. A única atividade específica que pudemos acompanhar foi a calafetagem. Tiras de algodão são besuntadas com zarcão e depois prensadas pelo Sr Getúlio em cada fresta entre as madeiras que compõem o casco. Segundo Mestre Edinho, sem isso o barco afunda...