Fotografias e Textos

Fotografia e texto são a forma que encontrei de tentar entender o mundo e contar para os outros como o estou entendendo. A fala é volátil, fotos e textos ficam. Quem quizer pode passar o tempo que achar necessário diante deles para  compreender e discutir uma visão do mundo.


ARQUIVO



outubro de 2008 

Time Temple





At first look it all seems like a geologic chaos, but there is method at work here, method of a fanatic order and perseverance: each groove in the rock leads to a natural channel of some kind, every channel to a ditch and gulch and ravine, each larger waterway to a canyon bottom or broad wash leading in turn to the Colorado River and the sea.



outubro de 2008 

A Muralha do Mundo





Diferentemente das paredes que já conhecia, a muralha parecia recuar à medida que ele se aproximava. Não havia aquela superfície sólida a lhe entortar o focinho sempre que tentava pressioná-la. A substância de que era feita a muralha parecia tão permeável e dócil quanto a luz. E como aos seus olhos a condição tinha a aparência da forma, ele penetrou naquilo que fora para ele uma muralha e banhou-se na sua substância.



março de 2008 

Ao Sabor do Rio Xingú





Não fui viajar com ribeirinhos. Esse povo mora mesmo é na cidade. Mas sua relação com o rio é íntima. Na verdade alguns passaram a maior parte da vida viajando pelo rio do que "em casa". Novamente, por uns dias o bagaço da civilização ficou para trás. E dessa vez eu estava junto. Subimos o rio Xingu partindo de Altamira (PA) em busca dos peixes. Ficamos ligados ao planeta em seu estado bruto. O sol racha e a chuva molha. O ar não é condicionado. Menos ainda o são piuns, carapanãs e suvelas. O corpo não é malhado, o tônus é natural. Todos comem no mesmo prato. A pátria d’água nos iguala.

Durante estes dias fui um deles. Do rio vinha o peixe e a água. Da mata a banana, o cupuaçu e a castanha. Na bagagem o sal e a farinha. O resto era dispensável. Todo o latim que eu poderia traduzir de nada servia. Eu tinha o abrigo da rede.



fevereiro de 2008

A Fotografia, o tempo e o vento.





Fotografia é, para mim, tempo. Um vento. O sopro de um momento. Por isso mesmo, antes de mais nada, arte. Expressão de autor. Antes de meio de comunicação, um meio de relação entre o autor e a coisa fotografada. 




Natal de 2007 

Novo Airão - AM





Novo Airão é uma cidade a noroeste de Manaus, subindo o Rio Negro já no arquipélago de Anavilhanas. Passei o Natal lá com minha companheira. Essa não é a melhor época para se visitar o local devido às chuvas. Por esse motivo ficamos na cidade mesmo.

Pessoalmente foi uma experiência ótima. Foi a primeira vez que tive contato mais próximo com a região amazônica. Só de ficar pela cidade à beira do Negro já fiquei encantado. Tudo me fascinava, tudo era motivo para fotografia. De certa forma, acho que esse encanto  me fez ter uma visão não muito íntima. Gostei do resultado das fotos, mas de alguma forma sinto que segui, na maior parte das fotos, um olhar estrangeiro e nada pessoal. Mas valeram o exercício e o imenso prazer de fotografar num lugar de paz.